sábado, 3 de setembro de 2011

Me engana que eu gosto!


...eu também fui enganado!




Com estas palavras manifesto aqui a minha indignação com os resultados que obtenho com o meu ofício. Ao longo de alguns anos venho me dedicando a ele e já encontrei pessoas notáveis, de grandes gênios à sábios idiotas. Resolvi, há poucos anos, procurar uma casa fixa para mim, um lugar onde eu pudesse desenvolver as atividades desse meu ofício, onde eu pudesse descarregar as maiores energias das minhas forças produtivas que, a saber, significa, em outras palavras, produzir e estimular a produção de conhecimento. Eu também fui enganado! Mais produzi do que estimulei a produção de conhecimento. Tenho vivido, no meu local de trabalho, em meio a uma maré de felicidade, uma grande turbulência pessoal marcada pela indignação. Aqui, de onde escrevo agora, todo mundo é feliz com a situação dessa instituição. Parte dos indivíduos o são por se manterem indiferentes com o Sistema de Trabalho, por mim “carinhosamente” denominado de “A Cartilha Mágica”, mais um coelho que um partido político tirou da cartola para iludir o público com sua falsa magia. Ah, aqueles que gerem este lugar feliz, o fazem democraticamente: eu o ouço, mas não escuto! Aqui sempre temos espaço para debater o impraticável. As sugestões dos operários da casa que lhes descrevo são sempre bem vindas aos ouvidos, mas jamais chegam à zona de processamento cerebral. Bom, também, é fácil ser pedra. Difícil é ser telhado!

Bom, quanto a outra parte, a dos felizes operários dessa casa, estes se subdividem em dois grupos. São eles, o grupo dos acríticos e o dos críticos. Ambos são felizes. Também não poderia ser diferente, pois não são incomodados, porque só poderiam ser cobrados/importunados por alguém que lhes oferecesse o mínimo de condições e respaldo para o exercício de um ofício qualitativo. O primeiro grupo prima pelo silêncio dos vencidos: “nada direi, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo.” Eis o lema deste grupo! Quanto ao segundo, são “pessoas desgarradas do senhor e amaldiçoadas pelas trevas” - pelo menos são vistas dessa forma pelo grupo da “gestão democrática”. Este grupo dos críticos, no meu ponto de vista, é a força motriz da escola, aqueles que exercem o meio termo entre a inoperância e a indiferença, pois nem estagnam e nem mudam nada significativamente, mas conseguem galgar algumas conquistas.

Imersos nesse caldeirão de hipocrisia funcional, situam-se aqueles que deveriam ser o real motivo de preocupação de todas as partes, mas que dadas as condições socioeconômicas e gostos próprios, dissimulam interesse para um dia conquistar o que almejam. Como os interesses por aqui também são múltiplos, já nem arrisco dizer de fato o que desejam estas pessoas! O que sei dizer é que, verdadeiramente, o ambiente institucional no qual convivo, é uma fábrica de farsas e vícios. Uns fingem que administram, outros fingem que lecionam, outros fingem que estudam, o governo finge que paga e subsidia e por aí vai. Na prática todo mundo, exceto o grupo gestor e o governo, são enganados e, consequentemente, se auto enganam para serem felizes. Este fato muito me entristece. Pensei que eu poderia mudar alguma coisa nesse ambiente de trabalho, mas também fui enganado. Basta agora eu me enganar para ser feliz. Tratarei de fazer isto nos próximos dias!



Flashaml

03/09/2011


7 comentários:

  1. eganar a si proprio foi isto q eu entendi? esclareça me antes q eu faça meu humilde comentario de tao instigante texto

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  2. Sim, entendeu perfeitamente. Em uma situação na qual tudo está errado é preciso enganar-se a si mesmo para continuar a viver. É um grande erro acreditar que ser educador é viver para a educação. É sim um trabalho que exige dedicação e até amor, mas que não pode levar o profissional à loucura. Diante de um quadro negativo, busca-se a melhora, mas existem grilhões que nos impedem de avançar. Penso que existe o erro de percurso e o intencional. O meu, na unidade educacional na qual me encontro, acredito ser o de percurso, o humano. O problema aqui são os erros intencionais, de pessoas que erram intencionalmente, por falta de boa índole, ou sei lá.

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  3. peço desculpas pela demora.......hehe

    bem minha visão soa tanto quanto incerta esta semana visualizei uma cena que me deixou chocada e triste os professores apanhando numa assemblei dum outro estado bem fato lamentavel pois eles apenas lutavam por um salario melhor mas sabemos q em nosso pais um deputado ganha muito mais para passear de carro do que um professor q se desdobra em mts escolas mas bem vejamos se nem tudo pode ser resolvido como vc disse e que o geito e se enganar por que escolher uma carreira que visa trazer a consciencia que visa abrir horizontes? um professor que se engana transmite isto a aqueles da qual ele ensina um mestre enganado forma uma naçao de enganados concordo que participamos dum circulo onde uns fingem que aprendem, e outros q ensinam nao so isso ha aqueles que fazem questao de demonstrar que so dao aula por dinheiro e eis q educar é uma profissao que deve conter amor sim existem muitos na grande casa que so se preucupam em garantir seu emprego portanto nao se manifestam de forma alguma ou ate mesmo q se beneficiam da situacao declinante e se um tijolo da casa se desloca a casa inteira entra em risco mas nao generalizemos existem alguns mestres que desenpenham seu papel com ardor vontade amor que notamos em seus olhos que fazem aquilo nao puramente pelo salario (que por vista é misero) mas que fazem por que gostam mas eis que quando veem que seus esforcos nao estao tendo grandes resultados se poem a ficar desmotivados com a situacao dai vem a expresao uma andorinha so nao faz verao nao é mesmo? mas pensamos se a humanidade desde os tempos mais remotos tivessem se enganado sobre questoes de vida e etc como estariamos hj? talvez pulando de arvore em arvore com uma tanga (se bem q nao evoluimos tao superiormente a isto) bem creio eu se enganar nao é a saida se é que existe saida mas a cosnciencia de q ha algo errado deve no9s conduzir a agir e motivar outros a que ajam tambem sei q nao sao muitos q querem agir pois comom diria raul seixas muitos preferem sentar confortavelmente em seus apartamentos com a boca escancarada de dentes esperando a morte chegar......
    mas é de grao em grao que a galinha enche o papo ja diria o povão ne .................

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  4. Desculpe-me pela demora do retorno!
    Ehe, penso efetivamente que não é uma postura correta enganar-se a si mesmo. Entretanto, quando mentalizamos que a vida profissional não é a nossa vida geral, que temos uma família e valores extra-escola, então, percebemos que por vezes é necessário se contentar com o possível e lutar pelo impossível. Defendo as utopias como metas, mas a realidade como chão. Nossa luta pressupõe o sonho, mas para se sonhar é preciso que consigamos dormir e, para tanto, é indispensável a paz de espírito, que por vezes só nos é possível quando "relevamos, quando nos enganamos".

    Abraço.

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  5. a paz de espirito:? bem não creio que de resultado pois apartir do momento que vc mesmo escolhe tentar se enganar vc proprio tem consciencia de que algo não vai bem se sabe que esta se enganando então torna se impossivel a paz de espirito e como eu disse numa casa se um tijo se desloca todos entram em risco sei que todos nós temos uma vida paralela fora da escola enfim marido namorado esposa filhos e etc... mas esta tudo de certa forma interligado pois quando não nos sentimos bem ou algo não vai bem em alguma esfera de nossa vida faz com que interfira na outra parte por mais que tentemos separar ambiente profissional e pessoal acaba por interferir sim é necessario dormir para se sonhar mas não devemos levar a educação na base de sonhos utopicos pois sonhos que são sonhos não se realizam eles ficam apenas pulsando em nossos inconscientes mas devemos acordar e nós impor metas a serem cumpridas mesmo que no plano real não parecam mais que utopias mas é necessario a luta..........

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  6. Penso que você tem razão em parte, pois de fato é humanamente impossível isolar a vida pessoal da vida profissional, mas é possível pelo menos amenizar os efeitos catastróficos de uma realidade desestimulante. A categoria dos professores é muito assolada pelo stress, pela depressão, síndrome do pânico e tantos outros problemas de ordem psicológica. Quando somos acometidos por um desses males, passamos a ganhar metade da metade do nosso salário, nenhum aluno, professor (exceto os amigos de fato) diretor, secretário ou governador vai às nossas casas amenizar as dificuldades que nossas famílias passam por problemas contraídos no interior das escolas. No entanto, penso que efetivamente algo deve ser feito, mas este "algo" não pode virar uma neurose.

    Obrigado pelas excelentes contribuições.
    Abraço.

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  7. uma realidade desestimulante sim concordo os professores são sim extremamente desvalorizados estes males repercutem a vida de tais mas é claro não quis dizer neurose pela educação eu digo dar o,melhor de si em relação a ela pois assim estará fazendo sua parte

    forte abraço

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