sexta-feira, 26 de abril de 2013

A morte mais digna: um ser que aprende

Foi com muita tristeza que recebi na última quinta-feira, dia 25 de abril de dois mil e treze, a notícia que falecera uma querida aluna que há algum tempo lutava contra um câncer no pulmão. Já havia uma semana desde que eu havia sido informado sobre a sua piora, depois da notícia da sua impressionante cura no final de dois mil e doze. Eu planejava visitá-la entre os dias 25 e 26 de abril. Tarde demais!
Lamentei profundamente a morte dessa jovém com quem vivi tão pouco tempo. Fiquei pensando nas dores física e emocional as quais ela foi submetida. Pensei, também, na dor da família dela. Preferi não comparecer ao enterro, pois conclui que para ela eu nada mais diria. Entendi, também, que eu nada teria a dizer para a família para amenizar a dor da perda. No entanto, o que deixei de dizer a todos, torno público aqui:
Aprendi muito com esta garota quando fui visitá-la. No portão, quando ela me atendeu, perguntei onde estava "ela mesma", pois a quimioterapia havia deixado-a muito inchada. Ela não se importou: convidou-me para entrar, saboreei um bom bolo, uma deliciosa torta e jogamos conversa para o ar. Ela me falou sobre os seus planos e me transmitiu toda a sua alegria de estar viva e com forças para lutar contra a terrível doença. No auge da minha arrogância, eu havia ido para "dar uma força" a ela, mas acabei me fortificando com a energia que ela apresentou. Resolvi coroar o esforço dela com uns vídeos sobre o conteúdo de filosofia, cujos trabalhos ela deveria entregar. Pasmem: ela entregou todos os trabalhos e me reportou que gostaria de ir à escola, mas alegou sentir uma fraqueza que a impedia. No final do ano letivo de 2012 ela concluiu o Ensino Médio. Foi aprovada. Desfilou na colação de grau e tirou muitas fotos. No seu perfil do Facebook ela postava as fotos da igreja que freqüentava, assim como os cliques em poses juvenis. Tudo parecia caminhar bem. Parecia!
Infelizmente a doença a acometeu novamente e ela não está mais viva. No entanto, seguem como lições de vida a garra, a motivação, a força e o empenho em conferir ao viver e ao morrer a dignidade necessária!