...eu também fui enganado!
Com estas palavras manifesto aqui a minha indignação com os resultados que obtenho com o meu ofício. Ao longo de alguns anos venho me dedicando a ele e já encontrei pessoas notáveis, de grandes gênios à sábios idiotas. Resolvi, há poucos anos, procurar uma casa fixa para mim, um lugar onde eu pudesse desenvolver as atividades desse meu ofício, onde eu pudesse descarregar as maiores energias das minhas forças produtivas que, a saber, significa, em outras palavras, produzir e estimular a produção de conhecimento. Eu também fui enganado! Mais produzi do que estimulei a produção de conhecimento. Tenho vivido, no meu local de trabalho, em meio a uma maré de felicidade, uma grande turbulência pessoal marcada pela indignação. Aqui, de onde escrevo agora, todo mundo é feliz com a situação dessa instituição. Parte dos indivíduos o são por se manterem indiferentes com o Sistema de Trabalho, por mim “carinhosamente” denominado de “A Cartilha Mágica”, mais um coelho que um partido político tirou da cartola para iludir o público com sua falsa magia. Ah, aqueles que gerem este lugar feliz, o fazem democraticamente: eu o ouço, mas não escuto! Aqui sempre temos espaço para debater o impraticável. As sugestões dos operários da casa que lhes descrevo são sempre bem vindas aos ouvidos, mas jamais chegam à zona de processamento cerebral. Bom, também, é fácil ser pedra. Difícil é ser telhado!
Bom, quanto a outra parte, a dos felizes operários dessa casa, estes se subdividem em dois grupos. São eles, o grupo dos acríticos e o dos críticos. Ambos são felizes. Também não poderia ser diferente, pois não são incomodados, porque só poderiam ser cobrados/importunados por alguém que lhes oferecesse o mínimo de condições e respaldo para o exercício de um ofício qualitativo. O primeiro grupo prima pelo silêncio dos vencidos: “nada direi, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo.” Eis o lema deste grupo! Quanto ao segundo, são “pessoas desgarradas do senhor e amaldiçoadas pelas trevas” - pelo menos são vistas dessa forma pelo grupo da “gestão democrática”. Este grupo dos críticos, no meu ponto de vista, é a força motriz da escola, aqueles que exercem o meio termo entre a inoperância e a indiferença, pois nem estagnam e nem mudam nada significativamente, mas conseguem galgar algumas conquistas.
Imersos nesse caldeirão de hipocrisia funcional, situam-se aqueles que deveriam ser o real motivo de preocupação de todas as partes, mas que dadas as condições socioeconômicas e gostos próprios, dissimulam interesse para um dia conquistar o que almejam. Como os interesses por aqui também são múltiplos, já nem arrisco dizer de fato o que desejam estas pessoas! O que sei dizer é que, verdadeiramente, o ambiente institucional no qual convivo, é uma fábrica de farsas e vícios. Uns fingem que administram, outros fingem que lecionam, outros fingem que estudam, o governo finge que paga e subsidia e por aí vai. Na prática todo mundo, exceto o grupo gestor e o governo, são enganados e, consequentemente, se auto enganam para serem felizes. Este fato muito me entristece. Pensei que eu poderia mudar alguma coisa nesse ambiente de trabalho, mas também fui enganado. Basta agora eu me enganar para ser feliz. Tratarei de fazer isto nos próximos dias!
Flashaml
03/09/2011